HIPISMO
RURAL

a brincadeira
ficou séria

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A brincadeira que se tornou basepara esporte olímpico. A modalidade nasceu em fazendas do interior do País e foi regulamentada para se transformar em uma das práticas mais completas da categoria.

A diversão entre amigos nos finais de semana virou coisa séria, conquistou novos espaços e se tornou fundamental para a formação de competidores internacionais. O Hipismo Rural, que nasceu no Brasil, é considerado um dos esportes mais completos da categoria. Juntos, cavalo e cavaleiro precisam vencer obstáculos naturais e artificiais, corridas em terreno plano e montanhoso, além de provas com baliza, tambor e salto.
Garra, determinação e coragem são características decisivas para o bom desempenho do conjunto no final da competição. A vontade de superar limites, aliás, nasceu com o próprio esporte, na época em que ele ainda era considerado apenas brincadeira.
Os relatos históricos mostram que o Hipismo Rural começou em fazendas e gincanas do interior, mais como passatempo do que competição propriamente dita. Aos poucos, a diversão foi ganhando mais adeptos e interessados, que perceberam o potencial dos animais e começaram a organizá-la melhor.
Na época, as provas eram simples e sem muitas regras. Basicamente, o desafio consistia em vencer obstáculos naturais, como troncos caídos, passagem de água ou valas, participar de corridas com outros cavalos, subir morros ou apenas exibir habilidades com o animal.
As primeiras competições aconteceram na década de 1970 e foram organizadas por fazendeiros da região de Mococa, Avaré e Franca, interior do Estado de São Paulo, entre eles, a família Rossetti.

Os participantes precisavam completar o percurso entre duas fazendas, que tinha cerca de 3 km e incluía pasto, travessia de rio, além de subidas e descidas, no menor tempo possível. Vencia quem cruzasse a linha de chegada em primeiro lugar.
Com o passar do tempo, as provas ganharam novas regras e figuras, como tambor e baliza, além do recuo. O passo seguinte foi dividir a competição em duas etapas distintas: cross e picadeiro, modelo que teve algumas reformulações, mas é adotado até os dias atuais.
A primeira competição, já de acordo com o novo regulamento, aconteceu em 1979, em Campos de Jordão (SP). Chamada à época de Cavalo Completo Rural, ela foi rebatizada alguns anos depois pelo jornalista Chuck Woodward, então diretor da revista Hippus, e ganhou o nome de Hipismo Rural.
Organização
Conquistando cada vez mais público também fora do campo, o esporte passou a ter entidade para representá-lo em novembro de 1982. A ABHIR (Associação Brasileira dos Cavaleiros de Hipismo Rural) foi fundada por participantes e, acima de tudo, incentivadores da prática no País, que se reuniram para discutir regras e maneiras de torná-la mais competitiva e profissional.

Sediada atualmente em Rio Claro (SP), a entidade teve papel fundamental na divulgação, popularização e aperfeiçoamento da antiga brincadeira, até que ela se transformasse no que é hoje em dia.
As mudanças técnicas atingiram também a pista em que são realizados os torneios. Mais modernas e evoluídas, as competições, antes simples e disputadas contra o cronometro, passaram a ter obstáculos mais difíceis e tempo -limite pré-estabelecido.
Barreiras de segurança também foram criadas para proteger o conjunto e o uso de capacete, colete e perneiras (ou chaparreiras) passou a ser obrigatório a cavaleiros e amazonas.
Os critérios para penalização e eliminação do participante também foram revistos e se tornaram mais rígidos. Faltas, como erro de percurso ou atrasos para apresentação, podem mandar o atleta mais cedo para casa.
Atualmente, os competidores de Hipismo Rural estão divididos nas categorias Escola, Míni-mirim, Nível I, Cavalos Novos, Intermediária e Performance.
"Ele não é um esporte olímpico, mas serve como base para as outras modalida­des, inclusive o CCE (Concurso Completo de Equitação), que faz parte das Olimpíadas. É dele que sai o cavaleiro ágil, versátil e corajoso", analisa Germano Gândara, atual presidente da ABHIR.
Segundo Gândara, muitos medalhistas brasileiros em campeonatos nacionais e internacionais iniciaram sua carreira em provas de Rural. "Como engloba etapas diversificadas, ele forma o competidor de maneira mais completa para as demais modalidades", observa o dirigente.

A própria associação, por causa da relação direta entre os estilos, também passou a organizar torneios de CCE e salto, mas manteve no Hipismo Rural o foco principal de suas atividades. "O espírito ABHIR continua mais vivo do que nunca, cumprindo seu papel não somente como forja de cavaleiros, o que é inegável, mas também como reduto de formação de homens, em um local onde valem a regra, a transparência, o trabalho, a lealdade e a equipe, valores que tanto desejamos ao Brasil", ressalta Germano Gândara.
Os princípios morais e éticos ganham ainda mais força nos campos de disputa. Para Gândara, o bom desempenho na prova não depende apenas do cavaleiro ou amazona e, sim, da relação harmoniosa entre eles e o cavalo.

"O Hipismo é um esporte de conjunto. Quem mais educa é o cavalo. A pessoa tem de conquistá-lo mais pelo carinho do que pela submissão. Não adianta bater no animal. Na hora da prova, ele lembrará disso e, provavelmente, não responderá da maneira esperada. E isso tudo serve como grande lição para a vida também", finaliza Gândara.
Não há idade mínima para começar a praticar o Hipismo Rural. Basta apenas estar disposto a se apaixonar pela modalidade, que cativa cada vez mais pessoas no Brasil.
PARA TODAS AS RAÇAS
Hoje em dia, a maioria dos animais que participam das competições de Hipismo Rural tem sangue Árabe, mas qualquer raça pode entrar na disputa desde que receba o treinamento adequado.
O treino costuma ser demo­rado e exigir paciência e dedicação de atletas e adestradores. "Às vezes, o cavalo demora até um ano para fazer um dos obstáculos, sem contar o tempo que o atleta também precisa treinar para conduzi-lo bem", explica Germano Gândara, presidente da Associação Brasileira dos Cavaleiros de Hipismo Rural (ABHIR).
Os cavalos dóceis e inteligen­tes são os mais indicados para a prática. O animal também precisa ter boa ossatura e movimentação leve, além de altura entre 1,42 m e 1,62 m, pescoço médio-longo, bom comprimento de garupa, inclinação correta de espáduas, boa abertura de peito, lombo não mui­to largo e aprumos correios.
Cumpridas essas exigências, é hora de se preparar para a montaria e para treinos intensivos em busca do aperfeiçoamento.

Germano Gândara
Presidente da ABHIR

matéria extraida da publicação
" Noticiário Tortuga "
Veículode comunicação da Tortuga Cia. Zootécnica Agrária