o salto sobre obstáculos

O termo genérico hipismo engloba várias modalidades de esportes equestres conhecidos como Equitação Inglesa ou Hipismo Clássico. No Brasil, as pessoas usam erroneamente o termo para descrever exclusivamente as provas de salto. As três modalidades são geridas no Brasil pela CBH (Confederação Brasileira de Hipismo) e em nível mundial pela FEI (Federação Equestre Internacional).

Uma característica particular do hipismo é que homens e mulheres podem competir juntos com as mesmas possilidades de vitória, diferentemente de outros esportes, em que a performance masculina é superior devido à maior força física. Além da categoria da amazona ou do cavaleiro e da integração entre animal e condutor, o importante é contar com uma montaria saudável e bem condicionada.
O hipismo é dividido em três modalidades: Salto de obstáculos, Adestramento e CCE (Concurso Completo de Equitação). O que une estes três esportes é o fato de que todos foram iniciados na Europa, utilizam cavalos das raças Warmbloods e derivados adaptados para uma ou outra modalidade e o tipo de arreamento, muito similar: sela inglesa. Os cavaleiros seguram cada rédea em uma mão, com as pernas o tempo todo em contato com o cavalo e a embocadura é mais baseada no bridão do que no freio, ao contrário dos esportes de equitação western.

Neste artigo, vamos discutir o mais popular dos três esportes: o salto de obstáculos, que deriva das corridas de cavalos sobre obstáculos, conhecidas como Steeplechase e das antigas caçadas à raposa, que eram feitas desde os tempos medievais na Inglaterra, que tinham grande popularidade junto aos nobres entre 1800 e 1900. A indumentária de competição dos cavaleiros é adaptação, que muito se parece com as gravuras dessa época e é conservada até hoje, mantendo a classe que o esporte evoca. Os cavalos utilizados na época eram grandes mestiços conhecidos como hunters e a ideia era perseguir a raposa, passando em linha reta pêlos obstáculos naturais, ou não, que fossem aparecendo à frente dos cavaleiros.

Com o passar dos tempos, as propriedades foram sendo protegidas com cercas impossíveis de ser saltadas e o esporte acabou sendo adaptado para uma arena fechada, na qual, no início, os obstáculos eram naturais e não eram facilmente derrubados (em geral, quem caía era o cavalo). A primeira prova oficial de salto sobre obstáculos, como conhe­cemos nos moldes atuais, foi em 1876, na Inglaterra. Posteriormente, os obstáculos foram ficando bem mais delicados e a disposição dos mesmos cada vez mais complicada, obrigando os cavaleiros a treinar seus cavalos para ser cuidadosos e não tocarem nos obstáculos. O hipismo fez parte do programa da primeira Olimpíada da Era Moderna, em 1896, em Atenas, como esporte de demonstração.

Entretanto, somente foi incorporado definitivamente aos Jogos Olímpicos em 1912, em Estocolmo.
Atualmente, os cavalos utilizados pa
ra o esporte do salto são os Warmbloods, cavalos obtidos por cruzamentos de raças europeias mais pesadas com o Puro Sangue Inglês e o Árabe, que foram selecio-nados para o salto por mais de 400 anos em várias criações europeias. No Brasil, o cavalo mais utilizado para o salto e o que apresenta maior aptidão é o Brasileiro de Hipismo, o Warmblood nacional oriundo do cruzamento de várias raças europeias com éguasbase da criação brasileira.

No salto de obstáculos moderno, o conjunto (cavalo + cavaleiro) é testado contra o tempo em percurso com 12 a 14 obstáculos, em média. Esse percurso destina-se a demonstrar franqueza, potência, habilidade, respeito pelo cavalo ao obstáculo e a qualidade da equitação do cavaleiro. Esse percurso é sempre di­ferente e montado por um profissional chamado 'armador' ou course designer, que, em geral, não pode saltar na prova. Existe tempo máximo para o cavaleiro terminar seu percurso. Acima desse tem­po, ele é penalizado e, se o tempo-limite for excedido, o cavaleiro é eliminado.

Mesmo em provas de nível olímpico, nenhum obstáculo pode exceder 1,70 m em altura nem pode exceder 2 m em lar­gura (com exceção do obstáculo de água conhecido como 'rio', que não pode exceder 4,50 m largura e de provas de salto em altura conhecidas como potências, nessas provas, os animais chegam a saltar obstáculos de mais de 2,00 m de altura).

As competições oficiais geralmente são de três dias seguidos com três tipos de provas diferentes e é feita a somatória das pontuações obtidas para chegar ao campeão do evento.
O objetivo é terminar o percurso sem qualquer penalização (zero pontos perdidos) e no menor tempo possível. A falta é considerada quando o obstáculo tem sua altura ou largura modificadas. A contagem dos pontos é feita da seguin­te maneira: o derrube de um obstáculo penaliza com 4 pontos perdidos; o refugo ou desvio do obstáculo penaliza com 4 pontos perdidos.

O 'laço', ou seja, o cavaleiro fazer uma volta durante o percurso antes ou depois de um salto e passar sobre sua própria trilha é considera­do como refugo. Dois refugos ou uma queda de cavalo ou cavaleiro acarretam eliminação do conjunto. Existem ainda penalizações por tempo excedido.
Os tipos mais comuns de provas são os conhecidos como Tabela A, que podem ser com uma única entrada do cavaleiro em velocidade ou com desempate para os conjuntos que empatarem nos pontos perdidos e estiverem dentro do tempo estipulado. Existe, ainda, a Tabela C, na qual os pontos perdidos na pista são transformados em tempo e adicionados ao tempo total do cavaleiro. Os GP's ou Grandes Prémios são as provas principais dos eventos, geralmente com a maior premiação, que podem ser uma prova de desempate normal ou uma competição de duas voltas sobre dois percursos (iguais ou diferentes, dependendo da prova). Nesse caso, os pontos perdidos, por conjunto, nos dois percursos são somados. Atualmente, algumas provas têm muitos cavaleiros inscritos e, visando agilizar o tempo, foi idealizada a prova de Duas Fases, em que o cavaleiro salta até o obstáculo de número 8 ou 9 e, caso não cometa nenhuma falta e esteja dentro do tempo, continua o percurso diretamente, valendo essa segunda fase a velocidade, por mais 5 ou 6 saltos. Quem comete faltas na primeira fase é retirado da pista sem saltar a segunda fase, agilizando o andamento da competição.
Também há várias provas considera­das show, como são as provas de potência, provas de revezamento, provas em duplas e provas que possuem obstáculos coringas, que são quase impossíveis de ser saltados e o público se diverte bastante.

Em geral, esse tipo de prova ocorre em eventos, como feiras e exposições, para manter o interesse do público na competição.Em relação aos obstáculos, existem os básicos, que seriam os verticais e os oxers, as paralelas, e as tríplices, que são os obstáculos em largura. Os oxers são obstáculos em largura em que a vara da saída do salto fica mais alta do que a vara de entrada, fa­cilitando a visão do animal. A paralela tem as duas varas, de entrada e saída na mesma altura, e a tríplice é um obstáculo com três níveis de altura diferentes de maneira ascendente, sendo geralmente o obstáculo com maior largura da pista. Um último tipo, utilizado só em provas mais avançadas, é o rio, obstáculo que simula espelho de água, em que o cavalo deve saltar toda sua extensão sem tocar na água ou na faixa que delimita o final da largura do mesmo.
Sobre essas variações, a imaginação dos construtores de obstáculos e arma­dores de percurso é totalmente liberada. Existem obstáculos de todas as cores pos­síveis, simulando muros, cancelas, portões, sebes, ondas etc. Nos grandes concursos, como nas Olimpíadas, Mundiais e Pan-Americanos, os obstáculos são temáticos e construídos especificamente para honrar um tema ou um patrocinador. Provas especiais, conhecidas como derbys, apresentam percurso mais longo que o normal e uma série de obstáculos chamados 'naturais', com banquetas, se­bes, fossos e até mesmo lagos, que são intercalados com os obstáculos regulares.
Outro fator importante a se deixar claro é que, nas provas de salto atuais, os
obstáculos são construídos para ser derrubados facilmente. A ideia é a proteção total do cavalo e do cavaleiro. Ao mais leve toque dos membros do cavalo, o obstáculo deve cair.

Os pára-flancos que sustentam os obstáculos, as varas que os formam e os ganchos nos quais os mesmos são apoiados seguem regras expressas da FEI em termos de peso, curvatura e material de construção. Nos obstáculos de largura, são exigidos ganchos especiais, chamados de ganchos de segurança, que se desarmam e deixam a vara cair, no caso de o cavalo não conseguir cumprir a largura do obstáculo, evitando que o animal se enrosque nas varas e possa cair ao ater­rissar sobre a vara de saída da largura. Esse modelo de gancho foi uma das maiores evoluções em termo de segurança no salto de obstáculos nos últimos dez anos.
Embora sejam relevantes os tipos de obstáculo, é de grande importante a disposição dos mesmos. Além dos obstáculos isolados, também são dispostos na pista obstáculos denominados 'compostos', que podem ser duplos ou triplos. Esses obstáculos são dispostos em linha com separação de um ou dois galopes do cavalo entre eles e, em caso de refugo do segundo ou terceiro, obrigam o cavaleiro a retomar sua tentativa desde o primeiro elemento.

Praticamente, qualquer combinação dos citados obstáculos acima po­de ser montada em um duplo ou triplo.

A maneira que os obstáculos são posicionados pelo armador de percursos também varia conforme o tipo de prova. Provas de velocidade exigem opções de curvas fechadas e exploram a delicadeza dos obstáculos, que são derrubados com facilidade em grande velocidade.
Provas de desempate e grandes prémios exploram a qualidade do cavaleiro e do cavalo sobre percursos mais fortes e técnicos, exigindo refinamento no controle do cavalo para obtenção de bons resultado
s.

O uniforme segue a linha das caçadas inglesas, em que as casacas podem ser pretas, azuis, cinzas e vermelhas. No caso da equipe brasileira, é permitida a casaca verde da CBH. Os culotes podem ser brancos ou beges. Camisas preferentemente brancas com gola obrigatoriamente branca. As botas só podem ser negras, permitindo-se tarja marrom no cano, que em geral é usada quando se usa a casaca vermelha. Luvas são opcionais e podem ser de qualquer cor. Os capacetes (ou quepes) podem ser de cores escuras, como preta, marrom escura, cinza ou azul marinho. Atualmente, os capacetes devem ser certificados e comprovar sua capacidade de absorção de choques para ter sua venda liberada na Europa e nos Estados Unidos. Para crianças e adultos que queiram, existem modelos de coletes com proteção para costelas e coluna, permitidos nas provas oficiais.

As categorias oficiais da CBH que competem em salto de obstáculos são muitas, uma vez que este é um esporte que se pode praticar em qualquer idade, desde a mais tenra até as mais avançadas. As principais categorias são sem divisão por sexo.

Os competidores são separados conforme a idade:
• Mini-mirim (oito a 12 anos),
• Mi
rim (12a 14),
• Juniores (14 a 18)
• Seniores
(acima de 18).

As entidades que dirigem o esporte costumam utilizar também as seguintes subdivisões:
• Principiantes,
• Aspi
rantes,
• Infantis,
• Juvenis,
• Jovens Cavaleiros,
• Seniores Novos,
• Masters e
• Amadores.

Rodrigo Pessoa
e Baloubet du Rouet

Vários brasileiros conquistaram destaque no esporte, como Nelson Pessoa, Luiz Felipe Azevedo, Vítor Alves Teixeira, André Bier Johannpeter, Álvaro Affonso de Miranda Neto e Bernardo Alves Rezende.
A principal referência do hipismo nacional e no mundo é, hoje, Rodrigo Pessoa, cavaleiro Campeão Mundial, da Copa do Mundo e Olímpico. Seu cavalo, o garanhão da raça Sela Francesa Baloubet du Rouet é mundialmente conhecido e, até sua aposentadoria no ano passado, foi considerado um dos melhores cavalos de salto do mundo.

 

 

 

 

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matériaescrita por Adriana Busato - Médica Veterinária
e extraida da publicação

" Noticiário Tortuga "
Veículode comunicação de Tortuga Cia. Zootécnica Agrária